Resenha #06 – 1984, George Orwell

Olá pessoal, tudo bem?

Hoje vim trazer a resenha de um livro muito conhecido e acredito que deveria ser lido por todos:

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Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que “só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro”.
Quando foi publicada em 1949, poucos meses antes da morte do autor, essa assustadora distopia datada de forma arbitrária num futuro perigosamente próximo logo experimentaria um imenso sucesso de público. Seus principais ingredientes – um homem sozinho desafiando uma tremenda ditadura; sexo furtivo e libertador; horrores letais – atraíram leitores de todas as idades, à esquerda e à direita do espectro político, com maior ou menor grau de instrução. À parte isso, a escrita translúcida de George Orwell, os personagens fortes, traçados a carvão por um vigoroso desenhista de personalidades, a trama seca e crua e o tom de sátira sombria garantiram a entrada precoce de 1984 no restrito panteão dos grandes clássicos modernos.
Algumas das ideias centrais do livro dão muito o que pensar até hoje, como a contraditória Novafala imposta pelo Partido para renomear as coisas, as instituições e o próprio mundo, manipulando ao infinito a realidade. Afinal, quem não conhece hoje em dia “ministérios da defesa” dedicados a promover ataques bélicos a outros países, da mesma forma que, no livro de Orwell, o “Ministério do Amor” é o local onde Winston será submetido às mais bárbaras torturas nas mãos de seu suposto amigo O’Brien.
Muitos leram 1984 como uma crítica devastadora aos belicosos totalitarismos nazifascistas da Europa, de cujos terríveis crimes o mundo ainda tentava se recuperar quando o livro veio a lume. Nos Estados Unidos, foi visto como uma fantasia de horror quase cômico voltada contra o comunismo da hoje extinta União Soviética, então sob o comando de Stálin e seu Partido único e inquestionável. No entanto, superando todas as conjunturas históricas – e até mesmo a data futurista do título -, a obra magistral de George Orwell ainda se impõe como uma poderosa reflexão ficcional sobre os excessos delirantes, mas perfeitamente possíveis, de qualquer forma de poder incontestado, seja onde for.

Logo no começo, somos apresentados a Winston, onde podemos ver como é a forma de vida na Oceania – Londres (Depois de uma guerra, o mundo ficou dividido em três grandes continentes – A Oceania, a Letásia e a Eurásia – que estão sempre em guerra entre si). Como vocês já devem esperar, o ambiente é de um ditadura. As pessoas são dominadas pelo Partido “Grande Irmão”, onde se controla o que se assiste, com quem se casa, onde se trabalha e mais outras decisões importantes de nossa vida.

Porém, o mais bizarro de tudo isso, é que todos os moradores têm em sua casa a chamada “teletela” que, para mim, é como se fosse uma televisão, mas o Partido consegue ver tudo o que você está fazendo e falar com você por ela.

Winston é o típico cidadão conformado. Tem um emprego no Ministério (onde falsifica as informações de jornais,revistas etc.), tem sua casa e vive normalmente assim. Até que um dia Na hora do ódio (programação do partido onde ele mostra as pessoas que foram contra o regime e dizem estarem mortas, demonstrando assim a loucura de irem contra um regime tão bom) ele vê uma moça ruiva muito bonita, fica encantado e ao mesmo tempo passa a odiá-la.

A partir disto tudo muda. Winston começa a se perguntar sobre a sua realidade, sobre a guerra que está acontecendo (uma hora eles estão em guerra com a Eurásia e na outra com a Letásia, mas ninguém nunca se pergunta se mudou ou não o inimigo, o que o governo fala é a verdade. Se você se perguntar se o inimigo era o outro, é você quem está ficando louco). Acontecem vários fatos e ele começa a se encontrar com Julia e ter uma relação sexual, até se apaixonarem. Lembrem-se que isto é totalmente proibido pelo Grande Irmão e eles sabem que hora ou outra alguém vai encontrar os dois e eles serão presos e vaporizados.

Mas, é claro, que ambos decidem se rebelar contra o governo. E é claro, que como qualquer ditadura, onde apenas poucos se rebelam, isto não acaba bem.

1984 não é uma obra de ação, onde várias coisas acontecem ao longo da história. É parada, exatamente para mostrar o quão devagar e sem emoção era a vida daqueles habitantes da Oceania.Para mostrar o quanto em perigo eles estão no tempo todo, como eles estão insatisfeitos mas não conseguem se dar conta disso.

É um livro com uma ótima crítica, onde nos faz agradecer por vivermos em um local onde uma ditadura não é mais aplicada. Nos faz pensar como seríamos miseráveis de viver naquele local. O simples fato de nos imaginar em tal situação já te faz criar uma repulsa total e um sentimento de indignação. O que nos leva a pensar, por exemplo, na Coréia do Norte, onde os habitantes vivem de tal maneira tão cruel e você simplesmente não pode fazer nada para ajudá-los.

Como toda obra que te faz refletir a vida, é uma ótima leitura, que deve ser feita de maneira minuciosa para poder entender os contextos em que os personagens estão inseridos. Vale muito a pena.

Como toda leitura que estou fazendo este ano, faz parte do Desafio Obverso Books.

Blogs promoventes do desafio:

http://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/

http://www.infinitoslivros.com/

http://thousandlivestolive.blogspot.com.br/

http://www.notinhasderodape.com.br/

https://literasutra.com/

http://k-secretmagic.blogspot.com.br/

http://www.colecionandoprimaveras.com.br/

http://odiariodoleitor.blogspot.com.br/

http://www.confraria-cultural.com/

http://livrosetalgroup.blogspot.com.br/

http://www.adorkable.com.br/

http://www.pensamentosvalemouro.com.br/

Até mais!

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14 comentários sobre “Resenha #06 – 1984, George Orwell

  1. Eu já ouvi falar muito desse livro, mas infelizmente ainda não o li. Claro que ainda pretendo lê-lo, especialmente porque gosto bastante desse gênero tambem. Imagino mesmo que deve haver críticas nessas páginas.
    Boas leituras!
    Beijos, Fer

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  2. Tenho muita vontade de ler esse livro, e isso já faz algum tempo, mas sempre acabo deixando de lado. Só ouço ótimas críticas sobre e já recebi várias indicações. Pretendo me aprofundar na história em algum momento, esse é daqueles livros que realmente traz alguns questionamentos sobre a realidade, que valem à pena serem analisados.
    Bjim!
    Tammy

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  3. Li este livro pela primeira vez, eu ainda não estava pronta para toda a critica social que ele pretendia fazer. Anos depois, quando reli, me encantei totalmente com a força desta história. Adorei suas considerações e pra mim, também foi uma ótima leitura.

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  4. Olá, tudo bem?
    Estou com um projeto de clássicos para 2016 lá no meu blog e esse livro faz parte das leituras que escolhi para fazer. Só fiquei ainda mais curiosa para ler o livro, ele é super elogiado e parece ser uma leitura excelente. Em breve vou ler também.

    Beijos,

    Rafa [ blog – Fascinada por Histórias]

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  5. Oi, o único livro que li dk autor foi A Revolução dos Bichos que também é excelente. Você já leu?!
    Esse eu ainda não li, mas achei a história bem interessante. E com certeza vou colocar na minha lista de leituras.
    Bj

    Curtido por 1 pessoa

  6. Oi, Carol
    Não conheço esse desafio, mas pelas suas leituras que acompanhei ( primeiro Dickens, depois Orwell) ele é de clássicos? Que legal!
    Eu acho 1984 o “pai” das distopias modernas e a critica social dele é ainda muito atual tanto que
    o programa Big brother foi inspirado nele com a questão da telatela e do próprio Grande Irmão, pena que mudou totalmente de sentido,rs.
    Adorei a resenha, adoro clássicos.
    bjs
    Luana Lima
    http://blogmundodetinta.blogspot.com

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  7. A minha maior vontade de ler esse livro é justamente para conhecer essa escrita do autor onde realmente faz uma critica interessantíssima e ótima para refletirmos, como você bem pontuou na resenha. Enfim, também fico pensando aqui, como deve ser complicado viver em um país como a Coréia do Norte por exemplo. Acho que dá para a gente ter uma ideia como é um sistema assim como no livro, né?

    Beijos

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  8. Oi!
    Tenho muita vontade de ler 1984 há alguns anos 2 amigas minhas leram e adoraram a estória mas a premissa na época não havia despertado a minha atenção, mas agora tenho muita vontade de lê-lo já que distopia se tornou um dos meus gêneros favoritos e esse é um dos precursores do gênero, com certeza espero gostar e apreciar as críticas que o autor soube fazer.
    Abraços

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